Agitos nerds, sistemas embarcados e robôs sociáveis

Como já é de conhecimento da maioria das pessoas que comparecem a eventos de informática, a coisa mais importante não são os eventos propriamente ditos, e sim as pessoas que os frequentam. Afinal, se eventos fossem compostos de robôs palestrantes que entram em loop ao ficarem nervosos e stands auto-montáveis vazios, enfeitados com luzes piscantes e máquinas de distribuir folhetos, acho muito improvável que fizessem sucesso (a menos que fossem categorizados como eventos de robótica), dado que ainda não criaram robôs sociáveis que conversam sobre algo mais além de diodos doídos, baterias de pouca duração e portas que gemem de prazer ao serem abertas.

Loop nervoso: os cientistas ainda não sabem como resolver esse grave problema.Embora redes wireless problemáticas sejam uma constante em aproximadamente 90% dos eventos e haja sempre alguém pra reclamar do nível das palestras, da organização e de tudo mais (o que não aconteceria se os eventos fossem organizados por robôs), o que mais interessa neles, obviamente, são as pessoas, as conversas e os contatos profissionais, já que ninguém assiste a todas as palestras que gostaria, é impossível (a menos que você seja um anti-social. Ou um robô). Os três últimos eventos dos quais participei foram basicamente isso.

Na terra dos marechais

Nos dias 6 a 8 de abril participei do Alagoas Digital a convite do meu amigo desenvolvedor do GNOME John Wendell. Realizei um minicurso de 8 horas de duração sobre o Inkscape, do básico ao avançado. Dentre os participantes estava o Wallisson Narciso, do Nanquim ao Quadrado, o aluno mais esforçado, do tipo que faz um professor se orgulhar. Conheci pessoalmente o meu xará Cárlisson Galdino, co-autor da paródia Eduardo e Mônica, e o recifense arretado que dias depois me daria a dica iluminada de comprar o N800, o Jorge Pereira. Uma das únicas palestras que vi foi a do Sílvio Meira, do C.E.S.A.R, sobre Internet, educação e inovação, e fez a viagem valer a pena. Sabe aquelas palestras que te deixam inspirado? Então...

Como não somos de ferro (tampouco robôs com medo de enferrujar), o Jorge e eu decidimos curtir um pouco as piscinas naturais de Maceió. Pegamos uma jangada e partimos, ao sabor do vento. O jangadeiro em questão demonstrou ser uma pessoa deveras feliz com sua profissão, narrando escrotices que seus olhos viram e nunca esquecerão, com aquele típico tom nordestino de contadores de causos bizarros.

Morram de inveja.

Enquanto avançávamos pelas fracas ondas de Maceió, soubemos de orgias em alto-mar, troca de tapas de um casal de gordos (tão gordos que tiveram que sentar no chão da jangada pois não cabiam no banquinho) e todo tipo de bizarrices que fariam o programa do Ratinho parecer apropriado para todas as faixas etárias. Ao chegar na piscina natural, vimos o quanto a crise pode estimular a criatividade do ser humano. Eis uma tosca ilustração descrevendo a cena:

O seguro não cobre ondas com mais de 2 metros.

Isso mesmo, caros amigos. Havia uma jangada-cozinha, servindo peixe assado aos turistas. Era literalmente um sistema embarcado. Só faltava a música local e uma LAN house pro serviço ficar completo. Como eles conseguiam cozinhar e equilibrar-se com as ondas, apesar de fracas, eu nunca vou saber. É o velho jeitinho brasileiro.

De volta e lá novamente

Alguns dias depois, 16 a 19 de abril, aconteceu a II Bienal de Informática de Natal, e o PSL-RN estava com um stand próprio, realizando mini-palestras, encontros de usuários e distribuindo pessoalmente folhetos para os participantes, já que não temos uma máquina para distribuí-los automaticamente. Cito aqui o encontro de usuários Ruby on Rails, organizado pelo Elomar (se você participou do Rails Summit, sabe quem ele é) e o pessoal da Tink!, empresa que está na organização do Oxente Rails, que realizar-se-á em agosto, aqui em Natal. O pessoal levou iMacs e promoveu desafios de algoritmos em Ruby valendo prêmios. Venci um dos desafios com a ajuda do meu amigo Moisés e ganhamos um pendrive lotado de tutoriais e videocasts sobre Ruby (hohoho!).

Na Bahia é assim, faz calor pra você, faz calor pra mim...

Mês passado, dias 29 e 30 de Maio, estive em Salvador no III Encontro Nordestino de Software Livre, um evento itinerante, que já teve edições na Paraíba e em Sergipe. Lá reencontrei o John Wendell e o Cárlisson Galdino, que lançou o cordel da pirataria, meu grande amigo bahiano e mentor do Inkscape, Aurélio Heckert, além do Fábio Nogueira, Alexandro Silva e o pessoal da Colivre, responsável pelo Noosfero. Apresentei sobre Extensões em Python para Inkscape e Quadrinhos com Software Livre:

No evento foi lançada a rede social do projeto softare livre, que substituiu o antigo portal do PSL-Brasil. Deviam colocar robôs pra monitorar quem cria comunidades de futebol, entre outras coisas totalmente não-relacionadas. Hummm... isso me lembra algo... Também rolou encontro dos PSL's do nordeste. Fui representando o Rio Grande do Norte e lancei a candidatura de Natal para a sede do próximo ENSL, a ser realizado junto ao IV EPSL.

E agora, vamos falar de um futuro próximo, no qual os robôs dominarão o planeta.

Nos dias 19 a 21 de Junho acontece o III ENSOL, em João Pessoa. Estarei lá para apresentar uma nova versão da palestra sobre extensões exibida acima (melhorar sempre!) e quem sabe eu consiga uma foto com o Stallman, "for free". =D

E finalmente, como não podia deixar de ser, Nerdson vai ao FISL10! (Oh não, aquela longa viagem do choque térmico Natal-Porto Alegre, nem mesmo um robô aguenta!). Este ano sou o responsável pela identidade visual e site do evento, logo, devo ir (pra comprar uma camisa do evento com a minha arte, obóvio).

Vou apresentar a palestra Inkscape para programadores, com o Aurélio Heckert e o Felipe Sanches, todos desenvolvedores do Inkscape. Bah, gurizada, apareçam lá!

PS: eu falei que vai rolar um festival de robótica livre no fisl?

OK, acabou com esse papo de robôs?

Sim, e concluindo, eventos são interações sociais. Seja você radical, moderado, progressista, conservador, fechado ou livre, vá aos eventos, dê palestras, converse com as pessoas, prestigie o trabalho dos organizadores (e se puder ajude no próximo evento). Você vai perceber a diferença que isso vai fazer na sua vida profissional.

A propósito...

P: Como você consegue conciliar seu trabalho e faculdade participando de tantos eventos?
R: Eu sou um robô.