Da caneta ao pixel

Wake on lan

Sabem que dia é hoje? Não? Ahá!

É o aniversário de dois anos do Nerdson! :D

Para comemorar a data, criei mais alguns wallpapers, mudei o tema do blog e o desenho dos personagens. Estava insatisfeito com o tema e os desenhos antigos. Espero que tenham gostado das mudanças! Muitas ainda virão.

Durante um certo tempo pensei no que escreveria nesse post, e achei que seria legal narrar brevemente os fatos que culminaram na criação do Nerdson, desde os primórdios. E lá vamos nós, de volta ao passado!

No mundo da diversão

Eu já lia quadrinhos quando ainda não sabia ler. Havia um cesto de revistas da Disney em casa, com edições do Tio Patinhas, Mickey, Pateta, Zé Carioca, Donald e sobrinhos. Eu folheava as revistas, me divertia com as figuras, mas não podia entender completamente as histórias. Quando finalmente aprendi a ler, aquelas revistas foram retiradas do cesto inúmeras vezes. As que estavam na parte de baixo do cesto não haviam sido lidas há mais tempo, logo eram as próximas. E assim se repetia o ciclo.

Era uma alegria enorme visitar primos e amigos que tinham revistas em casa, novinhas, esperando para serem lidas. Mais divertido ainda era ouvir a anfitriã reclamar que sua prole não dava a mínima para as revistas. Dava aquela sensação de "eu sou o único que lê por aqui? Será que eu sou normal? Deveria eu estar jogando bola, como todas as crianças da minha idade?".

Gostava tanto de gibis que comecei a criar meu próprios quadrinhos, com personagens toscamente desenhados e histórias geralmente copiadas das revistas. Creio que muitas crianças fizeram isso (ou ainda fazem, dependendo da qualidade da educação que recebem e do quanto sua criatividade é estimulada). Eu tinha um personagem chamado "Senhor Tartaruga" (não perguntem por quê, eu não lembro), e toda uma gama de personagens. A cada duas ou três edições criava mais deles, com o objetivo de ter tantos quanto os da turma da Mônica ou da Disney. Eu criava revistas seriadas, numeradas, com passatempos e tudo que as revistas da época tinham. Eram feitas com caneta, lápis de cor e folhas de caderno dobradas e grampeadas. Até mesmo a minha irmã compartilhava esse hobby comigo, mas apenas eu segui no caminho, pois o personagem que ela criou foi o "Senhor Jabuti", e como a história tem demonstrado, os plagiadores raramente se dão bem. :P

Algum tempo depois, todos os meus amigos sabiam que eu fazia revistas em quadrinhos. Num belo dia, meu professor de redação do ensino fundamental (Fábio, grande professor) me convidou para digitalizar uma delas e lançar na feira de ciências do colégio. Fui então apresentado ao Corel Draw, e isso mudou minha vida para sempre. Todas as noites ia ao laboratório de informática do colégio, para trabalhar na revista. Algumas semanas depois, lancei a revista na feira, custando um beija-flor. Fui para casa com algumas notas no bolso, refletindo: "será que essa vida tem futuro? Nããão". Devo ter gasto a grana com algo muito inútil, já que não lembro o que foi.

Logo veio outro trabalho: uma cartilha ilustrada de piscicultura, para a empresa na qual meu pai trabalhava. O lucro, óbvio, foi estupidamente maior: meu primeiro computador, um Pentium II com 32MB de RAM, HD de 6GB e Windows 98. Um luxo na época.

As únicas edições que restaram

Na imagem acima, estão as únicas revistas que sobraram daquele tempo. No auge da minha imbecilidade juvenil, eu distribuí as revistas entre meus amigos, e alguns deles sequer eram amigos de verdade. Uma grande parte da minha criatividade infantil documentada foi-se para sempre, e vou arrepender-me disso para o resto da minha vida...

No mundo da cultura digital

Veio a adolescência e a estupidez comum à fase. Deixei de estudar como antes, ler e fazer revistas, e me dediquei somente ao vício dos jogos e emuladores de Super Nintendo, Game Boy e Mega Drive. Foram horas gastas na Internet baixando ROM's. E o pior: havia uma locadora exatamente EM FRENTE à minha casa. Eu podia ouvir de casa os moleques gritando "pula ali que tu ganha 3 vidas!", bem como o barulho da torcida dos games de futebol. Em alguns casos, eu conseguia identificar o que estavam jogando, pelos sons ecoados na rua. Era impossível ficar uma tarde inteira em casa.

A segunda maior vantagem desse vício foi ter topado com um programa chamado RPG Maker, que foi minha primeira experiência em desenvolvimento de jogos, ainda que não fosse necessário programar. A primeira maior vantagem foi ter aprendido a ler inglês.

Claro, seria impossível descobrir a solução para um puzzle de Lufia 2 sem saber traduzir as fuckin' mensagens. Por isso havia sempre um dicionário na mesa do computador. Desde então, nunca mais precisei estudar para uma prova de inglês. Porém, uma das desvantagens foi a queda catastrófica do meu rendimento escolar. Quase fui reprovado na 8ª série. Os professores já estavam olhando torto para mim. As bordas das páginas dos meus livros escolares eram repletas de anotações e rabiscos sobre os jogos e seus personagens. As aulas de repente se tornaram insuportavelmente chatas. Eu era um dos excluídos (nerds) da turma (claro, porque a única coisa na qual 90% das pessoas pensavam eram shows de forró), e só pensava em voltar pra casa e derrotar o chefe daquela dungeon. As rodinhas de conversa com meus amigos abordavam apenas esses assuntos. -"Cara, aquele chefão é foda demais, como se mata ele?".

Não teve outra. Quando comecei o 3º ano do ensino médio, meus pais entregaram o computador para minhas irmãs, que já estavam fazendo faculdade em Natal (morávamos em Caicó), e precisavam dele para redigir trabalhos. Sem o meu companheiro de vício, tive que estudar. Creio que a partir daí ressurgiu o gosto pelos estudos, assim como pela leitura. Também pudera: tinha à minha disposição clássicos como Dom Casmurro, O Cortiço e Memórias de um Sargento de Milícias. Logo viria o vestibular, e tinha que decidir que curso fazer. Eu gostava de jogos eletrônicos e computadores. Logicamente decidi fazer ciência da computação. É isso aí! Eu ia ser programador!

No mundo da programação

Creio que muitos já sabem essa parte da história, conforme dito nesta entrevista para o blog do Marcelo Terres. O Nerdson, este personagem de quadrinhos que hoje completa singelos dois anos de existência, surgiu de uma insatisfação com meu antigo curso, resgatando um hobby há muito esquecido, de um moleque que gostava de fazer uns quadrinhos aí, tipo assim, mutcho locos, para se divertir e depois mostrar aos amigos.

Obrigado a todos pelas visitas e comentários!